Conteúdo revisado por Dra. Ana Thereza Marzola — CRM-SP 166221 | RQE 99360 · Atualizado em julho de 2026
O que é Dispepsia Funcional?
A dispepsia funcional é uma condição caracterizada por sintomas desconfortáveis na região superior do abdome (epigástrio) na ausência de doenças orgânicas que expliquem os sintomas. É um dos distúrbios gastrointestinais funcionais mais comuns, afetando cerca de 10-20% da população.
A Dra. Ana Thereza Marzola, especialista em Doenças Funcionais e Motilidade Digestiva pelo Hospital Israelita Albert Einstein, possui expertise no diagnóstico e tratamento da dispepsia funcional.
Subtipos de Dispepsia Funcional
Segundo os critérios de Roma IV, a dispepsia funcional é dividida em dois subtipos principais:
Síndrome do Desconforto Pós-Prandial (PDS)
Caracterizada por sintomas relacionados às refeições:
- Plenitude pós-prandial: Sensação de comida "parada" no estômago após refeições normais.
- Saciedade precoce: Sensação de estar "cheio" logo após começar a comer, impedindo terminar a refeição.
Síndrome da Dor Epigástrica (EPS)
Caracterizada por dor ou queimação na região epigástrica:
- Dor epigástrica: Dor na "boca do estômago", intermitente, moderada a intensa.
- Queimação epigástrica: Sensação de ardor na região superior do abdome.
Os dois subtipos podem coexistir no mesmo paciente (sobreposição).
Sintomas Associados
Além dos sintomas principais, pacientes com dispepsia funcional frequentemente apresentam:
- Náuseas (sem vômitos frequentes)
- Eructações excessivas
- Distensão epigástrica
- Sintomas de refluxo (sobreposição frequente)
- Sintomas de SII (sobreposição em até 50% dos casos)
Mecanismos Fisiopatológicos
A dispepsia funcional resulta da interação de múltiplos mecanismos:
- Acomodação gástrica prejudicada: O estômago não relaxa adequadamente para receber alimentos.
- Hipersensibilidade visceral: Percepção aumentada de distensão gástrica normal.
- Retardo do esvaziamento gástrico: Presente em 20-40% dos pacientes.
- Inflamação duodenal de baixo grau: Eosinófilos aumentados na mucosa duodenal.
- Alteração da microbiota: Disbiose pode contribuir para os sintomas.
- Disfunção do eixo intestino-cérebro: Processamento central alterado dos sinais viscerais.
- Infecção prévia: Dispepsia pós-infecciosa após gastroenterite.
Diagnóstico
O diagnóstico de dispepsia funcional é de exclusão:
Critérios de Roma IV
- Presença de um ou mais dos sintomas cardinais (plenitude, saciedade precoce, dor ou queimação epigástrica)
- Sintomas presentes por pelo menos 3 meses, com início há pelo menos 6 meses
- Ausência de doença orgânica que explique os sintomas
Exames Complementares
- Endoscopia digestiva alta: Exclui úlceras, gastrite erosiva, câncer e outras lesões.
- Pesquisa de H. pylori: A erradicação pode melhorar sintomas em alguns pacientes.
- Exames laboratoriais: Hemograma, função tireoidiana, glicemia.
- Ultrassonografia: Exclui doenças hepatobiliares e pancreáticas.
- Estudo do esvaziamento gástrico: Em casos selecionados refratários.
Tratamento
Medidas Gerais e Dietéticas
- Refeições menores e mais frequentes
- Evitar alimentos gordurosos que retardam o esvaziamento
- Comer devagar, mastigando bem
- Evitar deitar após as refeições
- Reduzir consumo de cafeína e álcool
- Gerenciamento do estresse
Tratamento Farmacológico
Para Síndrome da Dor Epigástrica
- Inibidores de bomba de prótons: Primeira linha, eficácia moderada.
- Bloqueadores H2: Alternativa aos IBPs.
Para Síndrome do Desconforto Pós-Prandial
- Procinéticos: Domperidona, itoprida melhoram o esvaziamento gástrico.
- Acotiamide: Melhora a acomodação gástrica (disponibilidade limitada no Brasil).
Para Casos Refratários
- Neuromoduladores: Antidepressivos tricíclicos em baixas doses.
- Mirtazapina: Pode ajudar em pacientes com perda de peso.
- Terapias psicológicas: TCC, hipnoterapia para casos com componente psicológico importante.
Erradicação do H. pylori
Quando presente, a erradicação é recomendada. Pode resultar em melhora sustentada em uma parcela dos pacientes.
Perguntas frequentes
A dispepsia funcional tem cura?
Não há uma cura única, mas os sintomas em geral podem ser bem controlados com medidas dietéticas, mudanças no estilo de vida e, quando necessário, tratamento farmacológico direcionado ao subtipo predominante.
Qual exame diagnostica a dispepsia funcional?
O diagnóstico é de exclusão, geralmente com endoscopia digestiva alta para descartar úlceras e outras lesões, pesquisa de H. pylori e exames laboratoriais complementares.
Quais os principais sintomas da dispepsia funcional?
Os sintomas cardinais incluem plenitude pós-prandial, saciedade precoce, dor ou queimação epigástrica, podendo vir acompanhados de náuseas, eructações e distensão.
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